Dentro deste contexto, nas 17 ilhas do estuário do Rio Sirinhaém, Zona da Mata Sul de Pernambuco, existe um conflito entre uma população tradicional de pescadores e a usina Trapiche. Das 53 famílias que viviam há décadas nas ilhas, 51 foram expulsas pela ganância da usina sob ameaças de morte, queima de casas e destruição das plantações. Apenas duas famílias permanecem resistindo no local, sob ameaças de serem expulsas judicialmente.
Na manhã desta quinta-feira, dia 28, no município de Sirinhaém, foi realizada a audiência para negociar os termos do despejo de uma das últimas famílias de pescadores tradicionais, que há décadas vive nas Ilhas de Sirinhaém. Como resultado da audiência, a pescadora Maria de Nazareth terá até o pŕoximo dia 04 de novembro para aceitar as propostas impostas pela Usina: sair das Ilhas e morar na periferia da cidade. Caso não aceite o acordo, o Juiz que acompanha o caso, Luíz Mário de Miranda, afirmou que executará a reintegração de posse, expulsando Nazareth e seus filhos das Ilhas. Maria de Nazareth garantiu que não aceitará nenhum acordo e que permanecerá nas Ilhas.
Além destas, outras 8 mil famílias que vivem no entorno das ilhas, e que dependem da pesca, sofrem com a poluição das águas e da terra, com a degradação dos manguezais, das áreas de restinga e das matas ciliares, provocadas pela usina Trapiche, esse agronegócio alcoolizado, em seu processo de produção do açúcar e do etanol.
Dessa forma, nós geógrafos que fazemos a AGB – Associação dos Geógrafos Brasileiros, em nossa 105ª Reunião de Gestão Coletiva, entre os dias 30 e 31 de outubro e 01 e 02 de novembro, em João Pessoa, repudiamos o fato da possibilidade de Maria de Nazareth poder ser expulsa das Ilhas, lugar onde ela nasceu e se criou. Como forma de dirimir o conflito apoiamos e exigimos a imediata criação da Reserva Extrativista Sirinhaém / Ipojuca, como forma de garantir a vida plena e abundante naquele chão brasileiro.
João Pessoa/PB, 02 de novembro de 2010.
ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS
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